terça-feira, 11 de abril de 2017

Relato do parto - parte 1

E o meu Pedro nasceu! Dia 18/02, 10:27h, com 37 semanas e 5 dias de gestação!

Vou relatar aqui como tudo aconteceu. Mas, para não ficar uma postagem tão grande,  vou dividir em partes. Segue parte 1:

No dia 06/02, nós fomos fazer uma ultrassonografia de rotina e, logo depois, eu marquei a consulta com a GO. Por problemas na agenda, não fiz o exame com a médica que costumavamos fazer. Fui toda feliz. Era véspera do meu aniversário.

Como sempre, não deu para ver o rostinho do Pedro e, logo depois, a médica veio falar que era para mostrar o exame para minha GO para que adotasse uma estratégia de conduta, já que o Pedro estava com baixo peso, muito perto do percentil mínimo ( O peso do Pedro indicava percentil 12, e o limite mínimo é percentil 10).

Logo fiquei preocupada e saímos logo para a consulta com a GO. Chegando lá, ela explicou o que se tratava, dizendo que meu bebê poderia ser PIG (pequeno para a idade gestacional). Mandou repetir o exame em uma semana e já preparou que, caso fosse PIG, teríamos que partir para uma cesária.

Eu e Binho saímos da consulta desnorteados. Logo eu, que estava me empenhando tanto para ter uma alimentação saudável, estava fazendo Pilates, drenagem linfática, tentando me manter super ativa!

Durante aquela semana e a outra, comecei a comer tudo que tinha vontade. Não cheguei a comer errado - afinal de contas, havia me acostumado a comer as principais refeições de maneira saudável, com legumes, arroz integral, proteína boa - mas não me privei de comer coisas gostosas que tinha vontade.

No final de semana seguinte, dias 11 e 12 de fevereiro, foi o final de semana de "despedida da barriga" nos grupos que eu frequentava quando gestante. Eu acordei cedo e falei: "Binho, acorda que esse final de semana é de despedida da barriga!". Falei isso pq não haveriam reuniões durante o carnaval e que Pedro viria logo depois do carnaval... Mal sabia que era o último final de semana da barriga e que, no sábado seguinte, Pedro iria nascer!

Fomos na reunião do IstharJpa e lá até comentamos sobre  nossa preocupação com o tamanho do Pedro e seu percentil. Fizemos nossa despedida da barriga ao som da música "Reconhecimento"... Foi lindo, me emocionei, claro! No final, Raquel me olhou nos olhos e disse: "Siga sempre seu coração e se respeite sempre!" . Guardei essas palavras como um presente.

No dia seguinte, fomos ao grupo GAPP - Maternidade Suave. E lá, tivemos mais uma despedida da barriga. Tivemos nossa reunião antes e, durante a reunião, também contamos da nossa apreensão a respeito do baixo peso do Pedro e uma possível necessidade de cesariana. Mais uma vez, fomos super acolhidos, ouvimos histórias de bebês PIGs super saudáveis e recebemos muita informação. Depois, sentei em uma cadeira e, neste ritual de despedida da barriga, cada pessoa presente colocava um item na bacia de água onde estava meus pés e, enquanto isso, falavam palavras positivas e desejavam boas energias para o parto. Nunca chorei tanto! A energia era quase palpável! Tudo isso ao som da música "Eu te desejo - Flávia Wenceslau". Essa música marcou minha história a partir daí... Agora, ela me lembra quando eu e meu filho éramos um!

A noite, fomos para o chá de bebê organizado por minha amiga e madrinha de casamento Juliana. Cheguei atrasada, pra variar. E já estava tudo pronto, tudo lindo! O tema foi do pequeno príncipe. Por coincidência, eu levei uma placa com uma frase do livro.. e a Ju tinha revelado uma foto com a mesma frase para colocar na mesa! De certa forma, o chá tb foi uma despedida da barriga, já que, no outro sábado, Pedro iria nascer.

Trabalhei normalmente durante a semana. Na quarta feira, fiz nova ultrassonografia e cardiotocografia para avaliar a saúde do Pedro. E ele estava bem, havia ganhado peso. A cardiotocografia tb detectou algumas contrações (prodomos), que eu não sentia dor.

Na sexta, fiquei em casa porque tinha consulta com a GO e aproveitei para antecipar a montagem do móvel da área de serviço. Enquanto media a área, Binho tirou uma foto minha.. a última foto que ele tiraria da barriga. O dia correu bem! Durante a consulta, falei para a médica que, na outra consulta, passaria com ela o plano de parto e sobre a doula que iria contratar.

Na volta, passei na Kalunga e comprei tintas para pintar os balões e as nuvens para colocar na parede do quarto do Pedro. Cheguei em casa e comi uma coxinha com minha sogra que tinha ficado lá para acompanhar a montagem do armário. Depois que ela foi embora, peguei o computador, deitei na cama e fui pesquisar preço de máquinas de lavar. Só que me deu um sono tão grande que resolvi tirar um cochilo. Isso era por volta de 18h.

Acordei às 20h com uma dor, um incomodo, que sumia...E voltava! E a barriga ficava dura durante a dor.

Binho chegou em casa e eu fui para o sofá, falando sobre as dores. Ele ficou muito nervoso e falou: "Ele nasce hoje". Falei que não, que poderia ser contração de treinamento e não estava contando o ritmo delas para não ficar nervosa a toa.

De qq maneira, Binho pegou as bolsas, arrumei a minha com algumas coisas e ele já colocou tudo no carro. E tb foi arrumar o quarto, colocar kit berço, cortinas e etc.

Por vias das dúvidas, resolvi ir tomar banho e lavar o cabelo. Se fosse trabalho de parto, não saberia como seria, quanto duraria. Queria ficar preparada, apesar de achar que não era, já que só completaria 40 semanas depois do carnaval, no dia 05/03.

Quando tirei a roupa, senti um negócio gosmento. Passei o papel e era tipo um corrimento transparente com partes verdes. Gritei o Binho e falei: "Fudeu".. Kkkkk

Tomei banho e, na saída, passei o papel e estava saindo mais. E as dores indo e vindo, barriga ficando dura. Aí caiu a ficha que Pedro iria realmente nascer em breve. Já era 1h da manhã do dia 18/02. Baixei um programa para contar as contrações e elas estavam regulares a cada 10 min. Binho foi dormir pq, no dia seguinte, ele teria pós, caso fosse alarme falso. E eu, por via das dúvidas, fiquei na cama fazendo as lembrancinhas da maternidade. E as dores, suportáveis, ia e vinha. Começava nas costas, vinha para frente da barriga, ficava forte e ia embora. Terminei de fazer as lembranças e tentei deitar para dormir, mas as dores já não deixavam.

Fui pra sala, sentei no sofá, no lugar onde passei todo o trabalho de parto e fiquei tentando descansar no intervalo das dores. Lembrei de uma matéria de uma índia Keretxu Miri, índia guarani de 77 anos de idade, que habita uma aldeia no Espírito Santo, que dizia "Calma e paciência que o nenê nasce fácil. O sangue não pode subir e a cabeça ficar quente. A mulher precisa ficar calma e esperar a hora que ela vem. Eu vou lá e falo com calma, que é assim mesmo, que não dá para fugir e então a pessoa se acalma e o nenê vem".

Coloquei na minha cabeça que meu único trabalho seria aguentar a dor. O corpo se encarregaria do resto.

Quando foi 4:50 da manhã, as contrações estavam a cada 6 minutos, com duração de 1 minuto. Mandei o print da tela para a GO pelo whatsapp e ela falou que as contrações estavam com características de fase latente, que era para eu tomar Buscopan composto e ir para o chuveiro quente. E eu não tinha nenhum Buscopan em casa!

Acordei o Binho, contei da conversa e fui para o chuveiro. A água quente não amenizava e eu sentia uma dor terrível em pé. Meu marido colocou um banquinho mas, mesmo sentada, não conseguia aliviar a dor na água quente.

Enquanto isso, meu marido ia falando e perguntando o que deveria fazer para arrumar Buscopan. Pedi para ele não falar comigo durante as contrações e contar elas pelo meu celular. E ainda falei: " Eu, agora, não posso decidir nada. Fazer nada. Agora é contigo!"
Percebi que ele sentiu um certo medo neste momento!

Ele ligou para algumas farmácias, mas elas só começavam a entregar após as 7h da manhã.

 Era 5h.  Mandei uma nova mensagem para a GO com novo print das contrações. Estava a cada 5 min e durando 2 minutos​. A GO falou que eu deveria aguardar as contrações ficarem mais fortes e com intervalos de 3 minutos para ir ao hospital. Que era para eu aguentar um pouco. Eu respondi que iria aguentar!

Meu marido saiu bem rápido para comprar o Buscopan e me deu para tomar. Não fez efeito nenhum!

As dores começaram a ficar cada vez mais fortes, tão fortes que vomitei por duas vezes. É só estava com a coxinha do dia anterior no estômago!

Lembro de dormir entre uma contração e outra. Binho sempre ao meu lado, sentado no sofá. Também lembro que, quando acordei por conta da chegada de uma nota contração, olhei para o lado e está lá, Binho, roncando! Kkkkkkk

Quando vinha a dor mais forte, eu ficava repetindo em voz alta: "Aguenta! Aguenta! Aguenta!". Binho, de vez em quando, me falava palavras de incentivo: " Você é forte! Vai consegui! Aguenta um pouco!".

Quando nos demos conta, por volta de 8:30h, as contrações estavam com intervalos de 2 minutos. Meu marido mandou mensagem para a GO, que falou para ir para o hospital ser examinada. Perguntou, ainda, em quanto tempo chegaríamos. 15 minutos, meu marido respondeu. E partiu hospital!

Coloquei o vestido longo que havia separado e estava saindo quando lembrei do meu terço da NS do Parto. Queria estar com ele na mão durante o parto. Procurei na minha bolsa e não achei. Desisti e sai. Como as dores estavam intensas, tive que parar, por diversas vezes, até o caminho do carro. Binho vinha me amparando. Durante o percurso, veio uma vizinha perguntar pra mim: " Vc está passando mal? Bla bla bla"... Não conseguia responder com a voz, Binho respondeu que estava indo pro hospital. Ela, então, veio acompanhando e dando dicas do que eu deveria fazer. E eu, sem me aguentar em pé!

Pedi pro Binho ir andando na frente para já posicionar o carro para sair. Depois veio outra vizinha para me ajudar andar, pq achou que eu estava sozinha. Me desejou boa sorte, me ajudou a entrar no carro e fomos embora.

No meio do caminho, peguei o celular e pedi pro fazer um vídeo. Fiz uma parte, daí veio uma dor mais forte e parei de gravar.

Chegando na maternidade, Binho me deixou na portaria e foi parar o carro. Entrei sozinha, andando. Era sábado antes do carnaval, a maternidade estava cheia, lotada! Passei pela portaria e tentaram arrumar uma cadeira de rodas, mas não acharam. Fui para a admissão, fiz meu cadastro, parando toda hora de falar pois vinha uma dor forte. Binho chegou e já mandou mensagem para a GO, que já estava no hospital. Ela falou que estava descendo para me avaliar.

A enfermeira veio me buscar na admissão da emergência. Eu não conseguir levantar e falei "Espera essa dor passar, rapidinho". A dor aliviou e fui andando. A enfermeira com a mão na minha barriga.  Na porta, novamente, pedi para esperar mais um pouco. Ela parou e disse:  "Você não está com intervalo, é a mesma contração ainda". E me levou direto para a sala da médica plantonista. Lá, tirei a roupa toda, coloquei o avental e sentei na cadeira ginecológica para ser avaliada.

Ao fazer o toque, a médica plantonista, nervosa, disse: "Já está com dilatação total! O que está segurando o bebê é a bolsa, que não estourou. Quase que o neném nasce no carro. Sobe logo, senão ele vai nascer aqui!"

A GO chegou, me examinou e confirmou a dilatação total. A GO disse que todas as salas de parto natural estavam ocupadas, que providenciariam uma sala de cirurgia mesmo para fazer o parto. Providenciaram tbuma cadeira de rodas, desci e sentei na cadeira e o enfermeiro foi me levando para o andar do centro cirúrgico, a GO e meu marido atrás. A GO foi falando: "Muito bem, Day! Tá focada no parto, na dor!". E eu, quieta, só sentindo e segurando na carteira pq qualquer trepidando doía bastante. Realmente, estava focada.

Chegamos no centro cirúrgico e fomos logo para a sala. Lá, me colocaram encostada na mesa/cama de cirurgia e já trouxeram a banqueta. A GO falou para eu sentar lá, obrigada Binho sentar atrás de mim, para apoiar minhas  costas e fazer força quando tivesse vontade. E assim fiz. A GO com a lanterna, a auxiliar dela ouvindo o coração do Pedro pelo cardiotoco. O Pediatra colocou uma música no celular e enfermeira na sala, dando assistência. Lembro que, em determinada hora, subiu um cheiro ruim de fezes. E eu falei "acho que fiz cocô".  A GO falou que não tinha problema, que era para continuar fazendo força. Em determinado momento, a GO estourou a bolsa e viu que havia mecônio no liquido amniótico e que seria bom que nascesse logo. Ela não me falou nada, mas ouvi elas falando entre si. Foquei ainda mais na força. Eu fazia tanta força que ficava vermelha e cansada. Binho, preocupado de eu desmaiar, me perguntava: " Está tudo bem?" . Eu só respondia afirmativo com a cabeça. Vinha outra dor e fazia força, sem respirar. A GO elogiava e falava que é exatamente essa forçado que eu tinha que fazer, para continuar.

Em determinado momento, fiz força e senti uma dor muito, mas muito forte, tipo queimação. Falei que estava com muita dor e a GO falou que era o círculo de fogo, que o Pedro já estava com a cabecinha ali, que ela tinha feito até um moicano no cabelo dele.

(Continua...)

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